terça-feira, 26 de março de 2024

Novidades? Temos também.

                   

Olá,

É com imensa alegria que, a partir de hoje, relançamos a série Exercícios Espirituais – Evangelho de Lucas, totalmente revisada e ampliada, em uma edição mais enriquecida com recursos visuais e interatividade com o leitor, sem perder, é claro, o estilo provocador do autor; sua assinatura bem peculiar.

E para tornar a experiência em acompanhar a série muito mais dinâmica, ela também ganhou um espaço exclusivo no blog, onde concentraremos muito material de apoio à meditação e aprendizado sobre o tema. Esse novo espaço permitirá, ainda, que os textos sejam melhor acompanhados na sequência de suas atualizações. Assim, também será possível acessar os exercícios de cada semana, sendo possível voltar a textos anteriores, quer para releitura, quer para pesquisa.

Mantemos o critério original da série, sequenciando exercícios em um único livro da bíblia, do início ao fim, como uma leitura devocional comentada. Seguiremos ainda com a transcrição do texto bíblico tema de cada postagem, o que ajudará na fixação do conteúdo.

Vale lembrar que esta mesma série ensejou a publicação de primeiro livro do autor, Exercícios Espirituais – Evangelho de Lucas, disponível como e-book Kindle pela Amazon. Esse mesmo material será agora revisado e ampliado junto com você, semana a semana. Por isso não deixe de comentar, sugerir, perguntar, discordar e até criticar o que quer se seja. Sua participação será extremamente importante na produção de um conteúdo cada vez mais relevante e adequado a você. Afinal é na confrontação das antíteses, que afirmamos as teses, ou as abandonamos. Quem aqui tem compromisso com o equívoco?

A ideia continua sendo desafiar você a ler e refletir no texto bíblico, no mínimo, semanalmente, incentivando a separar tempo exclusivo para meditação naquilo que temos de mais precioso. Isso é o que entendemos ser um exercício espiritual proveitoso e capaz de contribuir para sua edificação, e preparação aos desafios cotidianos da vida.

As atualizações semanais serão divulgadas pelo twitter, pelo Facebook, e pelo Instagram. Todos redes sociais pessoais do autor. Siga-o pelas redes e você ficará sabendo de cada novo capítulo da série. Tudo, para você não perder nada!

Lançada pela primeira vez em 2016, esta série já cresceu um tanto. Além do Evangelho de Lucas, produzimos Exercícios Espirituais em Provérbios, Romanos, Sermão do Monte, e mais recentemente iniciamos Exercícios Espirituais – O Livro de Jó. Todos poderão ser lido aqui no blog, totalmente acessível a você, e mais tarde lançados como e-books.

Já na próxima postagem dessa reedição, você conhecerá as razões que nos levaram a escolher o Evangelho de Lucas como inspiração para o primeiro volume da série, além de acessar um panorama resumido desse Evangelho, e curiosidades sobre o evangelista.

Na página do blog há um espaço para contato com o autor. Nele você poderá colocar tudo que quiser comentar, perguntar, reclamar... fique à vontade. Teremos total prazer em responder a tudo e a todos.

Esperamos de coração, que os exercícios sejam úteis a você e a todos quantos essa série alcançar. Que o Senhor Deus nos abençoe coração e mente, para crescermos sempre em sua graça e conhecimento. Amém

Forte abraço.

                O Editor

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Exercício 014 - Reconhecido por inimigos


Por Jânsen Leiros Jr


"31 E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava nos sábados. 32 E admiravam a sua doutrina porque a sua palavra era com autoridade. 33 E estava na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demônio imundo, e exclamou em alta voz, 34 Dizendo: Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus. 35 E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal. 36 E veio espanto sobre todos, e falavam uns com os outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem? 37 E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor daquela comarca.
38 Ora, levantando-se Jesus da sinagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ela. 39 E, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. E ela, levantando-se logo, servia-os.
40 E, ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e, pondo as mãos sobre cada um deles, os curava. 41 E também de muitos saíam demônios, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo.
42 E, sendo já dia, saiu, e foi para um lugar deserto; e a multidão o procurava, e chegou junto dele; e o detinham, para que não se ausentasse deles. 43 Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. 44 E pregava nas sinagogas da Galiléia.
Lucas 4:31-44 - KJA

O restante do capítulo 4 é uma continuação de nosso último exercício, mas que ao mesmo tempo estabelece uma antítese de comportamento entre aqueles que circunstanciaram Jesus nos dois cenários. Também no trecho acima, Lucas inaugura a narrativa dos diversos milagres de Jesus, sendo esses os primeiros de uma lista de vinte e um milagres narrados em seu evangelho. Diferente dos judeus de Nazaré que o quiseram jogar do abismo, os de Cafarnaum quiseram detê-lo para que de lá não saísse.

A comparação de reação entre a população das duas regiões é inevitável. Quem ele pensa que é disseram os de Nazaré, sentindo-se afrontados com o que consideraram blasfemo e impossível de ser verdade. Já os de Cafarnaum, cidade da Galiléia, região por onde Jesus já havia andado quando de seu retorno do deserto, acataram seu messianismo, ainda que não o tenham necessariamente entendido. Os milagres ali operados, juntamente com os exorcismos realizados, conferiram a Jesus o reconhecimento de ser ele o Ungido do Senhor. O que impressiona ademais, é que tal reconhecimento se dá também pelos demônios que eram expulsos, pois lhe reconheciam a autoridade.

E por falar em autoridade, notem que interessante. Jesus fala com autoridade, exorciza com autoridade e cura com autoridade. Isso fica patente pelo fato de não haver qualquer evocação fora de si mesmo, nem para falar, nem para expulsar demônios ou ainda para curar. A febre na sogra de Pedro é repreendida com autoridade e ela logo melhora. Alguns veem nesse texto uma sustentação para a crença de que doenças são causadas por demônios ou espíritos imundos, uma vez que Jesus repreende a febre. Acontece que repreensão está ligado a expulsão de demônios em nosso contexto histórico-religioso, mas não estava assim relacionado para Lucas e para os seus leitores. Mesmo porque, Jesus mais adiante repreenderá o vento e o encapelado Mar da Galileia, no episódio em que a tempestade açoitava o barco em que se encontrava. Por acaso a natureza teria sido possuída por espírito maligno? Claro que não. Portanto repreender aqui denota autoridade; poder para agir sobre as forças ou circunstâncias que afligem a alma e oprimem a humanidade.

O que de certa forma Lucas encaminha para o entendimento de seus leitores, é que desde o nascimento, Jesus veio sendo preparando para esse momento. Para os anos de ministério que realizaria. Concebido pelo Espírito de Deus e por ele sustentado, desde cedo Jesus se destacara das demais crianças do seu povoado. Tendo sido batizado e deixado assim sua vida anterior para dedicar-se totalmente à sua obra, foi tentado a duvidar do testemunho de Deus sobre sua filiação e messianismo. E agora ele estava sendo desprezado exatamente por aqueles a quem veio salvar, como uma forte e inevitável motivação para que ele desistisse do que estava pronto a fazer.

Por sua vez, e a pretexto de se manter em comunhão com o Pai, Jesus se retirou para um lugar deserto. Ele fez isso por muitas vezes. As narrativas dos evangelhos flagram Jesus se isolando constantemente para orar e assim alimentar sua relação com Deus, mantendo sua convicção de que, como cordeiro de Deus, lhe caberia passar por tudo a que se pretendeu na eternidade; salvar a humanidade.

Por último e tão importante quanto, Jesus diz que não pode atender os pedidos para permanecer em Cafarnaum, pois ele precisa ir a outras regiões pregar o evangelho do Reino, porque para isso é que fora enviado. E assim nos encerra a lição desse capítulo quatro. Convicção e foco; um binômio a ser guardado. Convicto de que era o Filho de Deus, ele resistiu ao diabo, não aceitou o desafio frívolo e mentiroso dos judeus de Nazaré, e agora, apesar do reconhecimento e do apreço do povo de Cafarnaum, Ele não perde o foco naquilo que realmente importa e define a razão de sua existência; a salvação.

Ainda que isso lhe custasse a vida, Jesus sabia que tinha tarefa e prazo para cumprir tal tarefa. Sabia que sua vida tinha um propósito e a esse propósito se dedicaria empenhadamente. Mal deu descanso ao próprio corpo e aos seus discípulos. E nós preocupados com condições de realização dessa ou daquela tarefa para o reino. Nos aborrecendo com essa ou aquela falta de reconhecimento. Nos magoamos por nada e nos revoltamos por muito pouco, abandonando ou negligenciando aquilo que o Senhor espera de nós; fé e ação.

Que tanto os maus quanto os bons nos reconheçam servos do Deus altíssimo, e que proclamemos a salvação em Jesus com a autoridade que nos deu para pregar, ensinar, e batizar em seu nome. 

Bom treino!